Enfrento hoje o cansaço e sono para lhes escrever de forma extraordinária. De fato, o assunto a ser tratado não pode esperar e muito menos passar em branco. Escrevo com muita sinceridade, relatando o que ocorreu e também demonstrando o que a Palavra de Deus nos ensina sobre tudo o que passamos. No dia 30 de Março (Quarta-feira), fomos convidados a participar da gravação de um programa de TV de um canal religioso, cujo tema em questão era ecumenismo. O motivo deste convite deve-se ao fato de que como cristãos evangélicos participamos do CristoArte, um festival de teatro promovido por um grupo de cristãos católicos e com a participação em sua imensa maioria de grupos da mesma fé.
No dia da entrevista, chegamos ao local no horário marcado. Muitas pessoas já estavam lá, não sabíamos quem eram, mas também participariam da gravação. Após a preparação de toda a estrutura necessária para a gravação, fomos rapidamente chamados para nos juntarmos aos demais, pois seria gravado primeiro um pequeno debate sobre o tema proposto, o qual nas palavras da responsável da emissora "seria um papo aberto". Até então, não fomos apresentados a ninguém. Não sabíamos quem eram as pessoas que lá estavam conosco. Apenas alguns nos eram conhecidos. A apresentadora deu início ao debate perguntando o que era ecumenismo. Diversas opiniões foram formuladas, em sua maioria aprovando a questão. Até então apenas observávamos. Confesso que estávamos nos sentindo um tanto deslocados. Ergui a mão e dei a nossa posição, questionando a real profundidade da proposta ecumênica. Foi aí que percebemos que a história era “beeem” diferente. Nossa posição foi veementemente contestada - o que havíamos exposto não era ecumenismo, que não devíamos nos prender a "debates teológicos e doutrinários mas sim ao elo em comum que temos que é Jesus Cristo e seu amor". O debate prosseguiu, nada mais falamos. Não porque não tínhamos argumentos, mas sim, porque os mesmos não vinham de acordo com aquilo que o programa iria apresentar.
O debate findou-se, algumas pessoas foram embora. Agora seria gravada a segunda parte. Os grupos presentes iriam apresentar seu trabalho. Um coral ecumênico, formado por evangélicos e católicos apresentou-se. Deveríamos apresentar uma esquete, mas não apresentamos. Primeiro, porque não concordávamos com aquilo e participando estaríamos aprovando algo sobre o qual nem pudemos opinar (pois com certeza o argumento que apresentamos nem vai para o ar) e segundo porque nosso elenco estava incompleto. Esperamos a gravação acabar, agradecemos e fomos embora. Anônimos chegamos e anônimos fomos embora. O amor pregado na proposta ecumênica, pouquíssimos a nós demonstraram.
Agora é nossa vez A posição que não pudemos expressar
Ecumenismo é um tema que desperta o lado amoroso de qualquer pessoa. A unidade, a fraternidade, o amor, o companheirismo e a amizade são virtudes que todo cristão deve praticar. Como recusar uma proposta tão digna como o ideal ecumênico? Como dizer "não" ao amor, à amizade, à aproximação?
Como não querer andar com pessoas que têm o mesmo Deus?
Assim, ecumenismo é um assunto fascinante e desafiador. Sabemos que discutir a questão ecumênica requer, antes de tudo, despir-se de preconceitos ou qualquer outro tipo de resistência. Mas, acima de tudo, precisamos ser sinceros e claros em nossas convicções e posições. As questões que nos vêm à mente são: Qual é a proposta? Quem está propondo? Quais os fundamentos da proposta? Os grupos envolvidos estão de acordo com as bases do autêntico Cristianismo? Há alguma ameaça à preservação da centralidade de Cristo em nossa experiência pessoal?
O que é ecumenismo?
Ecumenismo é uma palavra que vem do termo grego oikoumene, seu significado é "mundo habitado" ou, ainda, "aquilo que pertence a este mundo". Trata-se de uma palavra usada mais no âmbito cristão. Às vezes é utilizada de maneira abrangente, sendo também empregada para denominar o diálogo entre todas as religiões, neste caso o nome apropriado seria diálogo inter-religioso ou apenas "diálogo religioso". Dicionário Aurélio define ecumenismo como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs. Atualmente, o termo tem um significado estritamente religioso, apesar do seu contexto histórico abranger os aspectos geográfico, cultural e político. Numa edição especial, a revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, p. 36) descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as várias Igrejas cristãs. E explica: Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim como Ele e o Pai são um só. Independente da definição, o objetivo da Igreja Católica Romana, exposto no livrete "O Que É Ecumenismo"?, é buscar uma aproximação, o que muitas vezes dá a impressão de que o objetivo do movimento é acabar com as outras igrejas para formar apenas uma. E, principalmente, que na nova Igreja todos se submetem a uma só autoridade eclesiástica. Mas, na verdade, não é exatamente esta a proposta. Por isso, é importante entender a questão mais profundamente.
Em defesa do ecumenismo
No Brasil existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante parece ser o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) fundado em novembro de 1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: "Igreja Católica Apostólica romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil". No âmbito internacional, destaca-se o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em 1948, do qual a Igreja Católica Romana, não é filiada. Uma assembléia desse organismo, realizada em 1991, em Camberra, na Austrália, reuniu mais de 300 Igrejas cristãs de todo o mundo.
Diferentes no "essencial"
"Que harmonia [pode haver] entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?" (2 Coríntios 6:15)
Quem será a autoridade final em assuntos doutrinários no ecumenismo, uma vez que, imagina-se, católicos romanos e evangélicos podem um dia estar, não necessariamente unificados, mas, pelo menos, "andando juntos"? Para o evangélico, a Bíblia é a única autoridade. Para o católico romano, nem tanto, porque este aceita outras fontes com força autoritária igual ou superior à Bíblia. Na apresentação do livrete da CNBB, a Igreja Católica Romana afirma que pretende aprofundar esse encontro fraterno entre as igrejas cristãs, e confirma uma velha suspeita do evangélico quando declara que tudo será feito em sintonia com os anseios do papa João Paulo II. Isso porque, para os católicos romanos, o papa é o supremo pastor e doutor de todos os fiéis.
O evangélico não aceita a possibilidade de atender aos anseios do papa porque, para aquele, Jesus é a única referência, o modelo, "o caminho, a verdade e a vida". Um outro ponto de forte desacordo está no culto a Maria, algo que o evangélico abomina. Assim posto, as divergências — a autoridade do papa, as tradições católicas romanas e o culto a Maria — são pontos inegociáveis e razões muito fortes na separação entre católicos romanos e evangélicos.
Caminhos diferentes
"(...) para que [Deus] nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas (...)" (Miquéias 4:2).
O maior argumento do evangélico contra a proposta ecumênica da Igreja Católica Romana fundamenta-se em Amós 3.3: "Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?" As retóricas reflexões do profeta, nos primeiros versículos do capítulo 3, resumem a lógica das situações contraditórias. Hoje essas perguntas poderiam, do lado evangélico, ser as seguintes: é possível servir e adorar ao Senhor Jesus e a Maria, ao mesmo tempo? É possível seguir a Bíblia e as tradições católicas romanas sem ferir a soberania de Deus? É possível submeter-se à autoridade do papa e a do Senhor Jesus, como cabeças da Igreja? Se conseguirmos dizer "sim" a estas indagações, então podemos começar a pensar no ideal ecumênico. Uma outra questão diz respeito ao "jugo desigual", quando o apóstolo Paulo pergunta: "Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?" (2 Coríntios 6:14). A Bíblia Shedd (p.1636) define jugo desigual como qualquer ligação com incrédulos que tende a diminuir ou mudar a direção da peregrinação.
A diferença é tudo
A questão das diferenças é fundamental. Não é fácil conciliar convicções que não se harmonizam. A mesma coisa acontecia na época de Jesus. Sua mensagem chocava-se com o formalismo religioso e as tradições da religião judaica. Seria possível sentar e negociar com os fariseus? Dava para Jesus conversar com Caifás e tentar um acordo? Por que o jovem rico não pôde seguir a Jesus? Por que os seguidores ocasionais de Jesus se dispersaram? Nestes casos, a separação era inevitável porque a dificuldade estava na natureza dos propósitos... Quando o povo de Deus entrou na Terra Prometida de Canaã, Deus insistia em que o Seu povo não se misturasse com os povos pagãos das regiões circunvizinhas porque perderiam a identidade que Deus lhes conferira. Josué, o grande líder dos hebreus, ao conclamar o povo para uma renovação do pacto com Deus, declarou que, qualquer que fosse a posição deles, ele já havia decidido: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Josué 24.15). Estava avisando que, caso eles tomassem outra direção, ele se manteria fiel a Deus. E se realmente decidissem tomar outro caminho, haveria necessidade de separação.
Unidade dos cristãos
Sobre a unidade que se prega em defesa do ecumenismo, a Bíblia de Estudo Vida (Ed. Vida) comenta o texto de João 17:21 - Jesus não orou pela unidade institucional, mas pela união espiritual. Quer que todos os crentes sejam unidos em amor e graça, assim como o Pai e o Filho são um. Deus deseja que o mundo veja manifestações tangíveis dessa unidade. Quando os cristãos demonstram o amor de Deus de maneira concreta, as pessoas são convencidas mais prontamente de que o próprio Jesus foi a expansão maior do amor de Deus. O desejo de Jesus é que Seus seguidores tenham os mesmos pensamentos e as mesmas atitudes, instruídos e guiados pelo Espírito Santo (Efésios 4:3). Seja qual for a sua cultura, língua ou nacionalidade, o "cristão" não pode, por exemplo, jamais ser "idólatra". Ou eleger outros nomes, além de Jesus Cristo (At 4:12). Para muitos católicos romanos, uma aproximação ou unidade chega a ser indiferente. Isso porque passeiam com muita naturalidade por redutos não-cristãos, como espiritismo, candomblé, cartomantes, numerologia, astrologia, jogos de azar, festas pagãs e etc. O movimento da Renovação Católica Carismática (RCC), objeto de estudo na edição de maio/junho-99 da revista Defesa da Fé, matéria com o subtítulo "A falsa propaganda do Ecumenismo Pentecostal", cita um trecho do livro "Esse Crente Chato", do pastor Robinson, da ABU (Associação Bíblica Universitária) onde diz: O pentecostalismo católico não gosta de estudar doutrinas (‘isso divide’), usando como padrões o companheirismo na mesma experiência e o ‘amor’ em vez das Escrituras. E agora?... Isso nos mostra que o critério é a unidade pela unidade, a fraternidade pela fraternidade, o amor pelo amor, as ‘línguas’ pelas ‘línguas’ e nada pelas Escrituras. A Bíblia já não seria o critério normativo de verdade, de julgamento e de discernimento (...) A ingenuidade de muitos, a falta de conhecimento doutrinário, a falta de coragem para ficar firme e proclamar as Escrituras como única regra de fé e prática, a falta de postura para dizer NÃO, a busca de um ‘amor’ e de uma ‘fraternidade’ são alguns versículos usados por Satanás para selar tal espúrio ‘Ecumenismo’(...) Todos, de espírito aberto, devemos proclamar, unidos, a mensagem do Calvário, de Bíblia em punho, buscando o Consolador.
"Não, ainda não"
Uma coisa é certa: enquanto as divergências doutrinárias com a Igreja Católica romana perdurarem, a resposta da comunidade evangélica, assim como na indagação de Amós, tenderá a um "Não, ainda não". A unificação ou aproximação ainda é uma possibilidade remota. Apesar de ter a ação ecumênica como "irreversível", o catolicismo romano sabe dessa dificuldade porque, como enfatizou a revista Veja (10/11/99), "a Igreja não abre mão de seu primado". Não abrir mão é um péssimo sinal para quem quer se aproximar. Observe como a revista traduz a visão da Igreja Católica Romana: Por ter sido fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, a instituição vê-se como a única representante legítima de Cristo. Daí o adjetivo ‘apostólica’ que se segue ao ‘católica’. Ao definir-se também como ‘romana’, a Igreja diz ao mundo que não existe outra autoridade que se equipare ao pontífice encastelado em Roma. Ou seja, o ecumenismo, para a cúpula católica, não passa de uma relação estratégica entre partes que nunca serão iguais. No bojo de sua visão como instituição cristã, percebe-se que ela traz um ranço de preconceito religioso acumulado ao longo de séculos. Estariam, hoje, Pedro e Paulo orgulhosos da Igreja que fundaram? E quanto a Maria? Poderiam adorá-la, e aceitá-la como co-redentora na obra da salvação? Seguiriam à tradição em detrimento das Sagradas Escrituras, termo primeiramente usado pelo próprio Paulo? Dizer "sim ou não para o ecumenismo depende da natureza da proposta apresentada. Jesus rejeitou a idéia de Pedro (Mateus 16:23), quando este Lhe propôs um caminho diferente daquele que O levaria à cruz do Calvário. Parecia uma boa sugestão, uma proposta interessante, mas Jesus a classificou de ”inspiração satânica“. Nem sempre precisamos concordar com o que parece óbvio ou coerente. É preciso ir mais fundo na questão”.
Não há por que não estar "andando juntos" quando se vai na mesma direção, seguindo o mesmo mapa, usando o mesmo veículo, guiados pelo mesmo condutor. Se, no entanto, o caminho que a Igreja Católica Romana tomou é verdadeiramente aquele de João 14:6 ("Eu [Jesus] sou o caminho (...)"), então já estamos "juntos". Mas, se na sua auto-suficiência, decidiu tomar um outro caminho ou trocar de mapa e de guia, naturalmente católicos romanos e evangélicos se afastarão um do outro.
Qual é o nosso barco?
A discussão sobre o ecumenismo não se esgota aqui. Há muito mais para se estudar e entender, mediante a iluminação do Espírito Santo. O que podemos categoricamente afirmar é que, como crentes, precisamos satisfazer, em primeiro lugar, a vontade, a orientação e a soberania de Deus, e não os nossos próprios desejos, ou "os anseios do papa", “do pastor da igreja” ou qualquer outra exigência de natureza puramente humana e institucional.
Gostaríamos de estar "andando juntos", como na proposta da Igreja Católica Romana, num mesmo barco, como ilustrado num dos símbolos do movimento ecumênico. Mas, antes da saída, precisaríamos confirmar se teremos o mesmo capitão, o mesmo destino, o mesmo caminho e uma só esperança nessa viagem à vida eterna. Apesar dos esforços de aproximação, do entusiasmo, da tão propagada "espiritualidade da unidade", infelizmente ainda não existem boas condições de navegar. O mau tempo (diferenças doutrinárias sérias), o capitão (Jesus Cristo e/ou Maria), a bússola (a Bíblia ou as tradições), a direção (alguns querem ir direto para o céu; outros precisam fazer uma parada no purgatório) e a esperança (uns esperam só em Cristo, outros exigem um pouco mais: "Tudo por Jesus. Nada sem Maria"). Sem sintonia com os "anseios" de Deus, nenhuma tentativa de aproximação pode ter êxito. Só poderemos estar "andando juntos" quando decidirmos fazer uma só coisa, adorando e servindo só a Deus, em espírito e em verdade, de comum acordo, como na indagação de Amós.
Nossa posição
Não é necessário ecumenismo para podermos amar as pessoas independente de seu credo, sexo, raça ou qualquer outro fator que nos diferencie uns dos outros. Como discípulos de Cristo somos chamados a obedecer os mandamentos dados por Ele sobre este assunto, que é o amor incondicional ao nosso semelhante: 1) Amar ao irmão na fé - (João 13:35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.), 2) Amar ao próximo - (Lucas 10:27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.) e 3) Amar ao inimigo - (Mateus 5:44 Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem...). A proposta do ecumenismo visa reduzir a fé em Cristo num relacionamento baseado apenas na Sua mensagem de amor. Esquecem os defensores do ecumenismo que Cristo não é apenas "paz e amor" mas também justiça (Mateus 10:34 Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada). Não existe cristianismo sem profundidade bíblica e relacional (Lucas 14:33 Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo).
A Cia. Teatral Sal da Terra tem por regra de fé e prática, única e exclusivamente a Bíblia Sagrada. Não se pode, em nome de uma pretensa unidade, abrir mão da Palavra de Deus revelada à nós cristãos através das Escrituras. Não existem duas verdades e nem dois caminhos para a vida eterna (1 Timóteo 2:5 Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem... - João 5:39 Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. - João 6:68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna - Efésios 4:4-6 ... há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos. - 1 Timóteo 6:16 aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém!). Não basta apenas pregar a Jesus, é necessário pregar quem é Jesus, porque Ele morreu por nós e o que Ele quer de nós. Onde achamos isso? Na Bíblia Sagrada!
Não pregamos doutrina, nem defendemos placa alguma de Igreja. Com toda sinceridade lhes digo: não será meu pastor quem me salvará, não será a Igreja Adventista da Promessa, nem a Apostólica Romana, nem o papa ou qualquer prelado. Só Jesus Cristo, apenas Ele, é quem nos concede a vida eterna mediante a obediência à Palavra de Deus. Não somos contra o relacionamento entre pessoas diferentes, pelo contrário! O que temos feitos nos últimos 4 anos, participando do CristoArte, é mais do que suficiente para demonstrar nossa posição. Lá encontramos amigos sinceros e com eles compartilhamos a Jesus Cristo. Aos irmãos Rodrigo Ciarrocchi , André Simão, Milton Teixeira, Fábia Leite, Ivete e tantos outros católicos o nosso mais sincero carinho. Os amamos, admiramos e respeitamos. E sobre isso, são eles testemunhas em nosso favor, não tendo nada que nos desabone. Mas como mensageiros do Evangelho, e diante daquilo que aconteceu no dia 30/03, não podemos deixar de nos expressar.
Encerro esta edição extraordinária (e à você que teve paciência de ler até aqui o nosso muito obrigado por isso), falando sobre o apóstolo Paulo. Na refutação de nosso argumento durante o debate, a responsável pelo programa usou-o como exemplo de ecumenismo, dizendo que o mesmo não teve preconceito de pregar para pessoas diferentes. Bem, isso é fato. Paulo pregou aos não-judeus (os gentios), pois para isso fora comissionado por Jesus (Atos 9:13-15 - E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.) Mas dizer que o mais ardoroso defensor da pureza da fé cristã e de sua doutrina, pregou sobre o ecumenismo é no mínimo, desconhecimento total da Bíblia Sagrada.
Paulo pregou aos não-judeus, mas a mensagem que ele levou foi a de Cristo como único Salvador, e não uma mescla de fé de cada povo; uma mensagem de fidelidade profunda, de compromisso e não um Evangelho superficial. Para isso, Paulo usou do amor pelas pessoas para pregar esta Palavra. Paulo conviveu com as pessoas, esteve junto delas no seu dia-a-dia, compartilhou de seu sofrimento, começou de onde elas estavam assim como Jesus fez. Aceitou-as como eram, mas não aprovou seu modo de vida, ensinando um caminho melhor a seguir. O exemplo maior disto está em 1 Coríntios 9:19-23. Paulo começa dizendo que se fez servo de todos. Em seguida observe que ele diz "fiz-me como" e "como se estivera". Paulo envolveu-se com aqueles a quem pregava, mas em momento algum tornou-se um deles. Veja que ele diz "Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo)..." . Fidelidade e compromisso à Palavra de Deus. Nada mais além disso.
Hebreus 4:12 Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
1 Coríntios 9:19-23 - Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns. E eu faço isso por causa do evangelho, para ser também participante dele.
Thiago Lima Fiquem na Paz do Senhor Jesus
No dia da entrevista, chegamos ao local no horário marcado. Muitas pessoas já estavam lá, não sabíamos quem eram, mas também participariam da gravação. Após a preparação de toda a estrutura necessária para a gravação, fomos rapidamente chamados para nos juntarmos aos demais, pois seria gravado primeiro um pequeno debate sobre o tema proposto, o qual nas palavras da responsável da emissora "seria um papo aberto". Até então, não fomos apresentados a ninguém. Não sabíamos quem eram as pessoas que lá estavam conosco. Apenas alguns nos eram conhecidos. A apresentadora deu início ao debate perguntando o que era ecumenismo. Diversas opiniões foram formuladas, em sua maioria aprovando a questão. Até então apenas observávamos. Confesso que estávamos nos sentindo um tanto deslocados. Ergui a mão e dei a nossa posição, questionando a real profundidade da proposta ecumênica. Foi aí que percebemos que a história era “beeem” diferente. Nossa posição foi veementemente contestada - o que havíamos exposto não era ecumenismo, que não devíamos nos prender a "debates teológicos e doutrinários mas sim ao elo em comum que temos que é Jesus Cristo e seu amor". O debate prosseguiu, nada mais falamos. Não porque não tínhamos argumentos, mas sim, porque os mesmos não vinham de acordo com aquilo que o programa iria apresentar.
O debate findou-se, algumas pessoas foram embora. Agora seria gravada a segunda parte. Os grupos presentes iriam apresentar seu trabalho. Um coral ecumênico, formado por evangélicos e católicos apresentou-se. Deveríamos apresentar uma esquete, mas não apresentamos. Primeiro, porque não concordávamos com aquilo e participando estaríamos aprovando algo sobre o qual nem pudemos opinar (pois com certeza o argumento que apresentamos nem vai para o ar) e segundo porque nosso elenco estava incompleto. Esperamos a gravação acabar, agradecemos e fomos embora. Anônimos chegamos e anônimos fomos embora. O amor pregado na proposta ecumênica, pouquíssimos a nós demonstraram.
Agora é nossa vez A posição que não pudemos expressar
Ecumenismo é um tema que desperta o lado amoroso de qualquer pessoa. A unidade, a fraternidade, o amor, o companheirismo e a amizade são virtudes que todo cristão deve praticar. Como recusar uma proposta tão digna como o ideal ecumênico? Como dizer "não" ao amor, à amizade, à aproximação?
Como não querer andar com pessoas que têm o mesmo Deus?
Assim, ecumenismo é um assunto fascinante e desafiador. Sabemos que discutir a questão ecumênica requer, antes de tudo, despir-se de preconceitos ou qualquer outro tipo de resistência. Mas, acima de tudo, precisamos ser sinceros e claros em nossas convicções e posições. As questões que nos vêm à mente são: Qual é a proposta? Quem está propondo? Quais os fundamentos da proposta? Os grupos envolvidos estão de acordo com as bases do autêntico Cristianismo? Há alguma ameaça à preservação da centralidade de Cristo em nossa experiência pessoal?
O que é ecumenismo?
Ecumenismo é uma palavra que vem do termo grego oikoumene, seu significado é "mundo habitado" ou, ainda, "aquilo que pertence a este mundo". Trata-se de uma palavra usada mais no âmbito cristão. Às vezes é utilizada de maneira abrangente, sendo também empregada para denominar o diálogo entre todas as religiões, neste caso o nome apropriado seria diálogo inter-religioso ou apenas "diálogo religioso". Dicionário Aurélio define ecumenismo como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs. Atualmente, o termo tem um significado estritamente religioso, apesar do seu contexto histórico abranger os aspectos geográfico, cultural e político. Numa edição especial, a revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, p. 36) descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as várias Igrejas cristãs. E explica: Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim como Ele e o Pai são um só. Independente da definição, o objetivo da Igreja Católica Romana, exposto no livrete "O Que É Ecumenismo"?, é buscar uma aproximação, o que muitas vezes dá a impressão de que o objetivo do movimento é acabar com as outras igrejas para formar apenas uma. E, principalmente, que na nova Igreja todos se submetem a uma só autoridade eclesiástica. Mas, na verdade, não é exatamente esta a proposta. Por isso, é importante entender a questão mais profundamente.
Em defesa do ecumenismo
No Brasil existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante parece ser o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) fundado em novembro de 1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: "Igreja Católica Apostólica romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil". No âmbito internacional, destaca-se o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em 1948, do qual a Igreja Católica Romana, não é filiada. Uma assembléia desse organismo, realizada em 1991, em Camberra, na Austrália, reuniu mais de 300 Igrejas cristãs de todo o mundo.
Diferentes no "essencial"
"Que harmonia [pode haver] entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?" (2 Coríntios 6:15)
Quem será a autoridade final em assuntos doutrinários no ecumenismo, uma vez que, imagina-se, católicos romanos e evangélicos podem um dia estar, não necessariamente unificados, mas, pelo menos, "andando juntos"? Para o evangélico, a Bíblia é a única autoridade. Para o católico romano, nem tanto, porque este aceita outras fontes com força autoritária igual ou superior à Bíblia. Na apresentação do livrete da CNBB, a Igreja Católica Romana afirma que pretende aprofundar esse encontro fraterno entre as igrejas cristãs, e confirma uma velha suspeita do evangélico quando declara que tudo será feito em sintonia com os anseios do papa João Paulo II. Isso porque, para os católicos romanos, o papa é o supremo pastor e doutor de todos os fiéis.
O evangélico não aceita a possibilidade de atender aos anseios do papa porque, para aquele, Jesus é a única referência, o modelo, "o caminho, a verdade e a vida". Um outro ponto de forte desacordo está no culto a Maria, algo que o evangélico abomina. Assim posto, as divergências — a autoridade do papa, as tradições católicas romanas e o culto a Maria — são pontos inegociáveis e razões muito fortes na separação entre católicos romanos e evangélicos.
Caminhos diferentes
"(...) para que [Deus] nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas (...)" (Miquéias 4:2).
O maior argumento do evangélico contra a proposta ecumênica da Igreja Católica Romana fundamenta-se em Amós 3.3: "Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?" As retóricas reflexões do profeta, nos primeiros versículos do capítulo 3, resumem a lógica das situações contraditórias. Hoje essas perguntas poderiam, do lado evangélico, ser as seguintes: é possível servir e adorar ao Senhor Jesus e a Maria, ao mesmo tempo? É possível seguir a Bíblia e as tradições católicas romanas sem ferir a soberania de Deus? É possível submeter-se à autoridade do papa e a do Senhor Jesus, como cabeças da Igreja? Se conseguirmos dizer "sim" a estas indagações, então podemos começar a pensar no ideal ecumênico. Uma outra questão diz respeito ao "jugo desigual", quando o apóstolo Paulo pergunta: "Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?" (2 Coríntios 6:14). A Bíblia Shedd (p.1636) define jugo desigual como qualquer ligação com incrédulos que tende a diminuir ou mudar a direção da peregrinação.
A diferença é tudo
A questão das diferenças é fundamental. Não é fácil conciliar convicções que não se harmonizam. A mesma coisa acontecia na época de Jesus. Sua mensagem chocava-se com o formalismo religioso e as tradições da religião judaica. Seria possível sentar e negociar com os fariseus? Dava para Jesus conversar com Caifás e tentar um acordo? Por que o jovem rico não pôde seguir a Jesus? Por que os seguidores ocasionais de Jesus se dispersaram? Nestes casos, a separação era inevitável porque a dificuldade estava na natureza dos propósitos... Quando o povo de Deus entrou na Terra Prometida de Canaã, Deus insistia em que o Seu povo não se misturasse com os povos pagãos das regiões circunvizinhas porque perderiam a identidade que Deus lhes conferira. Josué, o grande líder dos hebreus, ao conclamar o povo para uma renovação do pacto com Deus, declarou que, qualquer que fosse a posição deles, ele já havia decidido: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Josué 24.15). Estava avisando que, caso eles tomassem outra direção, ele se manteria fiel a Deus. E se realmente decidissem tomar outro caminho, haveria necessidade de separação.
Unidade dos cristãos
Sobre a unidade que se prega em defesa do ecumenismo, a Bíblia de Estudo Vida (Ed. Vida) comenta o texto de João 17:21 - Jesus não orou pela unidade institucional, mas pela união espiritual. Quer que todos os crentes sejam unidos em amor e graça, assim como o Pai e o Filho são um. Deus deseja que o mundo veja manifestações tangíveis dessa unidade. Quando os cristãos demonstram o amor de Deus de maneira concreta, as pessoas são convencidas mais prontamente de que o próprio Jesus foi a expansão maior do amor de Deus. O desejo de Jesus é que Seus seguidores tenham os mesmos pensamentos e as mesmas atitudes, instruídos e guiados pelo Espírito Santo (Efésios 4:3). Seja qual for a sua cultura, língua ou nacionalidade, o "cristão" não pode, por exemplo, jamais ser "idólatra". Ou eleger outros nomes, além de Jesus Cristo (At 4:12). Para muitos católicos romanos, uma aproximação ou unidade chega a ser indiferente. Isso porque passeiam com muita naturalidade por redutos não-cristãos, como espiritismo, candomblé, cartomantes, numerologia, astrologia, jogos de azar, festas pagãs e etc. O movimento da Renovação Católica Carismática (RCC), objeto de estudo na edição de maio/junho-99 da revista Defesa da Fé, matéria com o subtítulo "A falsa propaganda do Ecumenismo Pentecostal", cita um trecho do livro "Esse Crente Chato", do pastor Robinson, da ABU (Associação Bíblica Universitária) onde diz: O pentecostalismo católico não gosta de estudar doutrinas (‘isso divide’), usando como padrões o companheirismo na mesma experiência e o ‘amor’ em vez das Escrituras. E agora?... Isso nos mostra que o critério é a unidade pela unidade, a fraternidade pela fraternidade, o amor pelo amor, as ‘línguas’ pelas ‘línguas’ e nada pelas Escrituras. A Bíblia já não seria o critério normativo de verdade, de julgamento e de discernimento (...) A ingenuidade de muitos, a falta de conhecimento doutrinário, a falta de coragem para ficar firme e proclamar as Escrituras como única regra de fé e prática, a falta de postura para dizer NÃO, a busca de um ‘amor’ e de uma ‘fraternidade’ são alguns versículos usados por Satanás para selar tal espúrio ‘Ecumenismo’(...) Todos, de espírito aberto, devemos proclamar, unidos, a mensagem do Calvário, de Bíblia em punho, buscando o Consolador.
"Não, ainda não"
Uma coisa é certa: enquanto as divergências doutrinárias com a Igreja Católica romana perdurarem, a resposta da comunidade evangélica, assim como na indagação de Amós, tenderá a um "Não, ainda não". A unificação ou aproximação ainda é uma possibilidade remota. Apesar de ter a ação ecumênica como "irreversível", o catolicismo romano sabe dessa dificuldade porque, como enfatizou a revista Veja (10/11/99), "a Igreja não abre mão de seu primado". Não abrir mão é um péssimo sinal para quem quer se aproximar. Observe como a revista traduz a visão da Igreja Católica Romana: Por ter sido fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, a instituição vê-se como a única representante legítima de Cristo. Daí o adjetivo ‘apostólica’ que se segue ao ‘católica’. Ao definir-se também como ‘romana’, a Igreja diz ao mundo que não existe outra autoridade que se equipare ao pontífice encastelado em Roma. Ou seja, o ecumenismo, para a cúpula católica, não passa de uma relação estratégica entre partes que nunca serão iguais. No bojo de sua visão como instituição cristã, percebe-se que ela traz um ranço de preconceito religioso acumulado ao longo de séculos. Estariam, hoje, Pedro e Paulo orgulhosos da Igreja que fundaram? E quanto a Maria? Poderiam adorá-la, e aceitá-la como co-redentora na obra da salvação? Seguiriam à tradição em detrimento das Sagradas Escrituras, termo primeiramente usado pelo próprio Paulo? Dizer "sim ou não para o ecumenismo depende da natureza da proposta apresentada. Jesus rejeitou a idéia de Pedro (Mateus 16:23), quando este Lhe propôs um caminho diferente daquele que O levaria à cruz do Calvário. Parecia uma boa sugestão, uma proposta interessante, mas Jesus a classificou de ”inspiração satânica“. Nem sempre precisamos concordar com o que parece óbvio ou coerente. É preciso ir mais fundo na questão”.
Não há por que não estar "andando juntos" quando se vai na mesma direção, seguindo o mesmo mapa, usando o mesmo veículo, guiados pelo mesmo condutor. Se, no entanto, o caminho que a Igreja Católica Romana tomou é verdadeiramente aquele de João 14:6 ("Eu [Jesus] sou o caminho (...)"), então já estamos "juntos". Mas, se na sua auto-suficiência, decidiu tomar um outro caminho ou trocar de mapa e de guia, naturalmente católicos romanos e evangélicos se afastarão um do outro.
Qual é o nosso barco?
A discussão sobre o ecumenismo não se esgota aqui. Há muito mais para se estudar e entender, mediante a iluminação do Espírito Santo. O que podemos categoricamente afirmar é que, como crentes, precisamos satisfazer, em primeiro lugar, a vontade, a orientação e a soberania de Deus, e não os nossos próprios desejos, ou "os anseios do papa", “do pastor da igreja” ou qualquer outra exigência de natureza puramente humana e institucional.
Gostaríamos de estar "andando juntos", como na proposta da Igreja Católica Romana, num mesmo barco, como ilustrado num dos símbolos do movimento ecumênico. Mas, antes da saída, precisaríamos confirmar se teremos o mesmo capitão, o mesmo destino, o mesmo caminho e uma só esperança nessa viagem à vida eterna. Apesar dos esforços de aproximação, do entusiasmo, da tão propagada "espiritualidade da unidade", infelizmente ainda não existem boas condições de navegar. O mau tempo (diferenças doutrinárias sérias), o capitão (Jesus Cristo e/ou Maria), a bússola (a Bíblia ou as tradições), a direção (alguns querem ir direto para o céu; outros precisam fazer uma parada no purgatório) e a esperança (uns esperam só em Cristo, outros exigem um pouco mais: "Tudo por Jesus. Nada sem Maria"). Sem sintonia com os "anseios" de Deus, nenhuma tentativa de aproximação pode ter êxito. Só poderemos estar "andando juntos" quando decidirmos fazer uma só coisa, adorando e servindo só a Deus, em espírito e em verdade, de comum acordo, como na indagação de Amós.
Nossa posição
Não é necessário ecumenismo para podermos amar as pessoas independente de seu credo, sexo, raça ou qualquer outro fator que nos diferencie uns dos outros. Como discípulos de Cristo somos chamados a obedecer os mandamentos dados por Ele sobre este assunto, que é o amor incondicional ao nosso semelhante: 1) Amar ao irmão na fé - (João 13:35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.), 2) Amar ao próximo - (Lucas 10:27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.) e 3) Amar ao inimigo - (Mateus 5:44 Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem...). A proposta do ecumenismo visa reduzir a fé em Cristo num relacionamento baseado apenas na Sua mensagem de amor. Esquecem os defensores do ecumenismo que Cristo não é apenas "paz e amor" mas também justiça (Mateus 10:34 Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada). Não existe cristianismo sem profundidade bíblica e relacional (Lucas 14:33 Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo).
A Cia. Teatral Sal da Terra tem por regra de fé e prática, única e exclusivamente a Bíblia Sagrada. Não se pode, em nome de uma pretensa unidade, abrir mão da Palavra de Deus revelada à nós cristãos através das Escrituras. Não existem duas verdades e nem dois caminhos para a vida eterna (1 Timóteo 2:5 Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem... - João 5:39 Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. - João 6:68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna - Efésios 4:4-6 ... há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos. - 1 Timóteo 6:16 aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém!). Não basta apenas pregar a Jesus, é necessário pregar quem é Jesus, porque Ele morreu por nós e o que Ele quer de nós. Onde achamos isso? Na Bíblia Sagrada!
Não pregamos doutrina, nem defendemos placa alguma de Igreja. Com toda sinceridade lhes digo: não será meu pastor quem me salvará, não será a Igreja Adventista da Promessa, nem a Apostólica Romana, nem o papa ou qualquer prelado. Só Jesus Cristo, apenas Ele, é quem nos concede a vida eterna mediante a obediência à Palavra de Deus. Não somos contra o relacionamento entre pessoas diferentes, pelo contrário! O que temos feitos nos últimos 4 anos, participando do CristoArte, é mais do que suficiente para demonstrar nossa posição. Lá encontramos amigos sinceros e com eles compartilhamos a Jesus Cristo. Aos irmãos Rodrigo Ciarrocchi , André Simão, Milton Teixeira, Fábia Leite, Ivete e tantos outros católicos o nosso mais sincero carinho. Os amamos, admiramos e respeitamos. E sobre isso, são eles testemunhas em nosso favor, não tendo nada que nos desabone. Mas como mensageiros do Evangelho, e diante daquilo que aconteceu no dia 30/03, não podemos deixar de nos expressar.
Encerro esta edição extraordinária (e à você que teve paciência de ler até aqui o nosso muito obrigado por isso), falando sobre o apóstolo Paulo. Na refutação de nosso argumento durante o debate, a responsável pelo programa usou-o como exemplo de ecumenismo, dizendo que o mesmo não teve preconceito de pregar para pessoas diferentes. Bem, isso é fato. Paulo pregou aos não-judeus (os gentios), pois para isso fora comissionado por Jesus (Atos 9:13-15 - E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.) Mas dizer que o mais ardoroso defensor da pureza da fé cristã e de sua doutrina, pregou sobre o ecumenismo é no mínimo, desconhecimento total da Bíblia Sagrada.
Paulo pregou aos não-judeus, mas a mensagem que ele levou foi a de Cristo como único Salvador, e não uma mescla de fé de cada povo; uma mensagem de fidelidade profunda, de compromisso e não um Evangelho superficial. Para isso, Paulo usou do amor pelas pessoas para pregar esta Palavra. Paulo conviveu com as pessoas, esteve junto delas no seu dia-a-dia, compartilhou de seu sofrimento, começou de onde elas estavam assim como Jesus fez. Aceitou-as como eram, mas não aprovou seu modo de vida, ensinando um caminho melhor a seguir. O exemplo maior disto está em 1 Coríntios 9:19-23. Paulo começa dizendo que se fez servo de todos. Em seguida observe que ele diz "fiz-me como" e "como se estivera". Paulo envolveu-se com aqueles a quem pregava, mas em momento algum tornou-se um deles. Veja que ele diz "Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo)..." . Fidelidade e compromisso à Palavra de Deus. Nada mais além disso.
Hebreus 4:12 Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
1 Coríntios 9:19-23 - Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais. E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns. E eu faço isso por causa do evangelho, para ser também participante dele.
Thiago Lima Fiquem na Paz do Senhor Jesus
Nenhum comentário:
Postar um comentário